RIO - A proposta do governo de proibir a venda de bebidas alcoólicas à beira da estrada é vista com bons olhos por leitores e especialistas ouvidos pelo GLOBO ONLINE. Eles argumentam, no entanto, que não basta ter a lei sem que haja uma fiscalização rigorosa. E vão além: defendem uma punição mais severa para o motorista que for pego dirigindo embriagado. (Você concorda com a proibição? Opine também)
- A questão é mais grave. A fiscalização e o policiamento são relativamente baixos. Tirar o álcool das estradas é importante, mas é fácil "abastecer-se" em lugares próximos - alerta o leitor Augusto Manuel Carvalho.
Grace Monteiro, coordenadora de Educação do Detran, também questiona a eficácia da medida, mas aprova a iniciativa, uma vez que as campanhas de conscientização não estão surtindo efeito.
-As pessoas sabem que não pode beber e dirigir, mas continuam colocando a própria vida e de terceiros em risco. As campanhas educativas estão por toda a parte, mas parece que não bastam se não tiver punição ou medidas restritivas, como esta. Agora, junto com a medida é importante que haja fiscalização, porque se o motorista realmente quiser beber, ele vai fazer isso antes de colocar o pé na estrada - afirma.
Restrição similar já está em vigor nas estradas administradas pelo governo de São Paulo. No Espírito Santo, também já foi sancionada uma lei - que entra em vigor no mês que vem - proibindo a venda de bebidas alcoólicas em lojas de conveniência de postos à beira das estradas estaduais. No Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral também já avisou que enviará para a Assembléia Legislativa (Alerj) um projeto semelhante.
O engenheiro Fernando Diniz, que perdeu um filho em acidente de trânsito em 2003, lembra que a proposta do governo se refere apenas às rodovias federais e ressalta a importância de se endurecer a legislação.
" Tem que educar e reprimir, mas tem que endurecer a lei "
- Tudo que for feito para diminuir as estatísticas é válido. Mas o que tem que fazer é mudar o comportamento do homem. Se não consegue mudar, tem que ser com multa, prisão. Tem que educar e reprimir, mas tem que endurecer a lei - avalia Fernando, representante do movimento "Prosseguir é preciso".
Muitos internautas também compartilham da mesma opinião, como ilustra o depoimento abaixo:
- Em pouco tempo estarão nos proibindo até de dirigir em estradas. O caminho é a prevenção, através da modificação do dispositivo legal que regula a embriaguez ao volante, prevendo punição mais severa - opina o leitor Jordan Rogatte de Moura.
Grace Monteiro aponta o exemplo de outros países, como os EUA, onde dirigir embriagado é crime. E lembra o caso do ator Kiefer Sutherland, do seriado "24 horas", que foi condenado a 48 dias de prisão, no mês passado, em Los Angeles.
- Aqui no Brasil, as pessoas ficam achando que é uma infração menor. Mas é um crime. Se você dirige embriagado, assume o risco de cometer um crime - afirmou.
Para diminuir a impunidade, Fernando Diniz defende a adoção de penas alternativas a motoristas infratores. A proposta - já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara - prevê a prestação de serviços em ambientes relacionados ao resgate, atendimento ou recuperação de vítimas.
- É injusto que paguem com cesta básica ou serviço comunitário - avalia.
Ao mesmo tempo, a Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro, criada em 2003 e que reúne 210 deputados, está se mobilizando para incluir com mais clareza, no Código Brasileiro de Trânsito, o conceito de crime doloso (intencional) em acidentes de trânsito.
sábado, 20 de outubro de 2007
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